Notícias » A humanização no atendimento oncológico

Notícias

A humanização no atendimento oncológico

A humanização no atendimento oncológico

Vivemos em um mundo profissional em hiperatividade. Quase de maneira exigente, ele cobra resultados, produtividade, promete que a rapidez vem atrelada ao sucesso, tal qual um vendedor de canal de compras. Na oncologia, não há como não enxergarmos isso.

Essa certeza apareceu reavivada na literatura oncológica internacional. Em uma revista médica, a Cancer World, surgiu um título de artigo interessante: “há um elefante na sala”.

O “elefante” para o qual todos olham e ignoram na sala apertada, é nada mais nada menos que ele, o paciente. Um indivíduo, que em algum momento começou a ocupar o seu lugar no mundo, foi reconhecido cidadão pelo seu número na identidade, que tem um sotaque, experiências, histórias, nos pede atenção, bem no olho do furacão de um ambulatório lotado.

Algo é fato, não somos preparados para enxergar isso. Ainda na faculdade, compartimentalizamos o ser humano em pedaços. Falamos com confortável familiaridade sobre tireóides para tratar, as lesões e seus limites, o “sarcoma difícil que apareceu”, as mamas biopsiadas da semana, entre outros. É preciso que um urologista – em tratamento para o câncer de próstata – fale numa plenária lotada de um congresso europeu sobre seu desconforto:
– Não foquem-se apenas em nossas próstatas. Não esqueçam que essa próstata pertence a um homem!
Acredito que justamente nesse ponto crítico de pedido por atenção, sem qualquer intenção voluntária, é que o oncologista clínico se vê quase que forçado a pecar pela demora (isso é pecado?). Cumprimenta, olha nos olhos, pergunta como foram as últimas duas semanas depois da quimio, calcula a mudança de dose depois da perda de peso, renova as receitas para combater os mais variados sintomas. E imaginem, nessa profusão de etapas na consulta, exames para registrar, torna-se deveras dificil perguntar sobre como vai a família…
É bem verdade que exigir, falar sobre um atendimento mais humanizado, com abordagem realmente holística, demanda responsabilidades, em todas as esferas. Prediz também entendimento da questão pelas entidades gestoras, oferecimento de condições para que realmente a abordagem do indivíduo como um todo seja possível. Atender com empatia é difícil, demorado, nos pede esforço e os colegas sabem o quanto desgasta. Pois muitas vezes por mais que tentemos, não conseguimos retribuir a confiança depositada: daí vem a receita certa do distanciamento.

Esse cuidado com dignidade ainda precisa enfrentar muitas barreiras para ser plenamente obtido. Mas é fato que é hora do tema ser discutido abertamente. Há urgência nisso. Quem nos fala é o paciente em quimioterapia, aguardando na fila da consulta, dizendo: “…eu entendo que nós temos que matar o maior número possível de células do tumor. Também aceito que tenhamos que operar, irradiar e bombardear esse inimigo que está crescendo em mim. Mas me diga doutor, o que eu faço com o resto do meu corpo, para minha dor, minha pele seca, meu intestino preso, sem falar na minha insônia toda noite, sem saber o que ainda esse combate reserva para mim?”

Fonte das citações: cancerworld.net

Notícias

a oncológica - tratamentos

Agende a consulta

Em breve retornaremos para você!